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Mayana Zatz
Prêmio México de Ciência e Tecnologia
2008
Nasceu em Tel-Aviv, em 1947. Doutora pela Universidade de São Paulo, em 1974, com tese sobre tema que desde então tem sido seu objeto primordial de estudo: a genética das doenças neuromusculares hereditárias, especialmente alguns tipos de distrofias musculares. Foi precursora dos estudos realizados no Brasil sobre as alterações bioquímicas que podem ser detectadas no soro dos doentes com distrofia muscular para o diagnóstico daquelas doenças.
Essas investigações de ciência básica têm continuado durante mais de três décadas e têm gerado grande acervo de conhecimentos sobre as alterações genéticas causantes daqueles padecimentos. Entre suas numerosas contribuições podem ser destacadas a identificação de vários dos genes defeituosos e as bases moleculares de como esses defeitos produzem graves deficiências no funcionamento dos músculos.
Mayana Zatz foi também pioneira na introdução das técnicas de genética molecular no Brasil para estudar as doenças neuromusculares, no final da década dos 80. Esses estudos aprofundaram notavelmente o conhecimento sobre as bases moleculares das alterações genéticas nessas doenças. Nos últimos anos, Mayana Zatz e sua equipe têm gerado também conhecimentos relevantes sobre as alterações genéticas em outras doenças neuro-degenerativas incapacitantes e incuráveis, tais como a esclerose lateral amiotrófica e a demência de tipo Alzheimer. Na busca de possíveis tratamentos dessas doenças, tem incursionado recentemente no estudo das células-tronco e sua possível aplicação terapêutica.
Os resultados das pesquisas de Mayana Zatz e sua equipe têm propiciado a publicação de mais de 220 artigos nas revistas científicas de maior prestígio internacional (mais de 30 nos últimos 5 anos), bem como 13 capítulos em livros internacionais e mais de 50 trabalhos em publicações brasileiras. O impacto dessas investigações é grande, como o demonstra o fato de que seus trabalhos têm sido citados cerca de 5.000 vezes na literatura científica internacional, o que significa que a Dra. Zatz é uma das científicas brasileiras mais citadas (incluindo ambos os sexos). Desde 1995, Zatz é professora de Genética Humana e Médica da Universidade de São Paulo. Em 2003, ela obteve o Prêmio da TWAS (Third World Academy of Sciences).
O trabalho de formação de recursos humanos por parte de Mayana Zatz tem sido, também, destacado. Desde 1983, ano em que seu primeiro aluno de mestrado se graduou, tem sido orientadora de 13 teses de mestrado e 18 de doutorado, e grande número de suas publicações de investigação é assinado por seus ex-alunos, muitos deles já na qualidade de professores.
As doenças neuromusculares que Zatz estuda geram alterações musculares muito graves, irreversíveis e, até hoje, intratáveis, que inabilitam os doentes, especialmente as crianças e, por tanto, reduzem dramaticamente sua qualidade de vida. Esse fato provocou que a Dra. Zatz, desde os primeiros anos após ter obtido seu grau de Doutor, estabelecesse estreito ontato com numerosas famílias portadoras dos genes alterados.
Já que é possível detectar as alterações genéticas antes que a doença se manifeste, e por tanto, predizer o risco de que os filhos dos portadores a herdem, a pesquisadora envolveu-se intensamente na ajuda a possíveis pais em situações desse tipo, mediante o chamado “aconselhamento genético”. Nesse sentido, sua preocupação foi de tal magnitude que em 1981 fundou a Associação Brasileira de Distrofia Muscular (ABDIM), e em 2000, o Centro de Estudos do Genoma Humano (Human Genome Research Center), vinculado ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, do qual é diretora. O propósito mais importante da ABDIM é ajudar as crianças afetadas pela doença, mediante terapia física, apoio psicológico, e capacitação em computação.
Graças a sua constante intervenção no aconselhamento genético, Mayana Zatz tem se envolvido, também, nos aspectos bioéticos da pesquisa genética e das decisões que devem ser tomadas convenientemente nos casos de doenças hereditárias, partindo da condição médica e genética em cada caso. Por exemplo, o que e como aconselhar a uma mulher grávida quando é detectado que seus irmãos têm alguma distrofia muscular?, como decidir o que fazer quando as provas no feto (supondo que a mãe deseje que sejam realizadas) demonstrem que efetivamente herdou os defeitos genéticos?
Por outra parte, em 2004, como representante da Academia Brasileira de Ciências, Mayana Zatz participou da elaboração de documento que apoiou a clonagem terapêutica (proibindo, no entanto, a clonagem reprodutiva), assinado por 63 academias de ciências de mundo inteiro. Ademais, desempenhou importante papel para conseguir que o Congresso do Brasil aprovasse, em 2005, pesquisas com células-tronco embrionárias, aprovadas de forma definitiva pela Suprema Corte Brasileira em 2008.
A carreira profissional de Mayana Zatz é exemplo de produtividade científica básica do mais alto nível, aunada a relevantes resultados no atendimento à saúde e na política científica de seu país e da Ibero-América. |